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Teresina, Piauí, Brazil
Olá, Fazemos parte da turma de Especialização em Gestão Educacional em redes EAD - UFPI-CEAD, polo de Teresina. O grupo responsável pela criação deste blog é composto por Doraneide,Virgínia e Raimundo.Estaremos conectados neste AVA para socializarmos experiências e atividades dirigidas ao curso ou a nosso cotidiano de trabalho.

domingo, 15 de março de 2009

REFLEXÕES DO BLOG
Acompanhe comigo a análise de três filmes na visão da Educação Profissional e tecnológica.
O HOMEM QUE COPIAVA
O protagonista André (Lázaro Ramos) é um jovem de 20 anos que trabalha como operador de fotocopiadora na papelaria Gomide e que nas horas vagas, desenha e tenta o apoio de algum editor enviando suas produções para aprovação, mas nunca obteve uma resposta da parte dos mesmos. Tentando conquistar o coração da jovem Silvia (Leandra Leal) e lutando para sair da "dureza" de ganhar um salário mínimo por mês, André passa a produzir notas de 50 reais falsas onde trabalha, mas sua loucura por querer mais dinheiro vai além, produz cada vez mais notas falsas, até que teve a idéia de roubar um carro forte, onde obteve êxito roubando um malote com 2 milhões de reais, além de ter a pura sorte de ganhar na loteria no dia seguinte ao roubo. Diferentemente do velho ditado: ”O crime não compensa”, neste caso compensou e a trama termina deixando evidente que nenhuma das personagens era inocente. Todos queriam se livrar de seus problemas de alguma forma, mesmo que não fosse de uma forma muito ética.
O filme retrata a realidade de muitos trabalhadores, que como o protagonista vive em condições bem difíceis. Tomando de início a vida de André, percebe-se as inquietudes de um cidadão com relação a sua vida pessoal, sua insatisfação com uma não realização profissional, afinal ele possuía outras habilidades bem mais complexas do que operador de uma máquina de xerox em uma loja de papelaria e ganhando um pouco mais de um salário mínimo. A vida de André era muito resumida, pouco se podia almejar, apesar dele querer e sonhar com algo melhor. Começava de certo modo a se conformar com seu estilo de vida, a se tornar “bitolado” no seu cotidiano, de despesas mínimas e “dinheirinho” contado, até o dia que seu impulso maior chega Silvia, a garota do prédio vizinho que ele se se apaixonara e através desta paixão o despertar do desejo de conseguir uma vida melhor. Mas como a sociedade atual se concretiza nos valores materiais, André dá início a sua conquista amorosa e desenha uma cadeia de mentiras, desonestidade, roubo, assassinato e muito mais por um “lugarzinho ao sol”. Comparando com o cotidiano de muitos jovens, percebemos uma relação muito grande com o momento que vivemos. Muitos como o André do filme, na maioria das vezes desmotivada e sem muita perspectiva, terminam por optar pelo caminho do crime, para evoluir, iludidos por uma vida de sucesso, bens materiais, a felicidade baseada na aquisição de que o dinheiro pode comprar o que não é compensável na maioria das vezes. Ressalta-se aqui, não querendo dizer que o poder aquisitivo alto não seja uma ambição de muitos brasileiros, mas que seria interessante se fosse alcançado pelo próprio esforço e potenciais reconhecidos, através do trabalho, da oportunidade de se mostrar seus talentos e não se deixar perdê-los muitas vezes, por não terem esses talentos reconhecidos. Mudar suas histórias de vida. Acredito que a principal mensagem do filme não está em caracterizar que “os fins justificam os meios”, mas sim, em mostrar que não justificam. Chamo a atenção como principal reflexão do “Homem que copiava” que na maioria das vezes o crime, a corrupção, a violência como um todo podem estar associados ao ócio, à falta de oportunidades e os baixos salários, afinal se o valor do que produzimos é o salário que recebemos (baixos e desvalorizados), desmotiva,desqualifica,desanima. Não aqui justificando que o fato de não se ter o emprego dos sonhos ou o salário que se almeja, sejam justificativas para entrar na vida do crime, mas possivelmente apontar uma vertente a ser analisada do ponto de vista de políticas públicas favoráveis a profissionalização e acesso ao trabalho valorizado e reconhecido no Brasil.
O DIABO VESTE PRADA
A história é simples, Andrea é uma jovem recém licenciada que procura um trabalho num jornal onde realmente possa escrever, no entanto até conseguir prestigio para tal, candidata-se a um lugar de assistente numa revista de moda. A revista de moda é a Runway, e o trabalho em questão será para trabalhar diretamente com uma das mulheres mais poderosas no mundo da moda, Miranda Priestly. Miranda é uma mulher poderosa, que abusa dos seus subordinados. Rodeada de pessoas bem vestidas e que respiram moda e tudo o que a ela diz respeito, Miranda é o diabo em pessoa. Trabalhar como sua assistente representa deixar de ter vida própria, adivinhar os seus desejos e o mais importante de tudo satisfazer todos eles. Andrea é o tipo de profissional que nunca iria trabalhar para a Runway, uma vez que em nível de moda o seu estilo é muito atípico. Contrariando tudo e todos, a sinceridade e modéstia de Andrea levaram-na diretamente ao mundo da moda. Com o tempo, e como era de se esperar, torna-se uma profissional cheia de estilo e vestida conforme o cargo e o local onde trabalha. Torna-se o braço direito de Miranda, mas aqui aparece o reverso da medalha, Andrea começa a descuidar da sua vida pessoal, a não dar atenção ao seu namorado, aos seus amigos, e a deixar de lado valores que para ela já foram filosofias de vida. E é então no topo da sua carreira na Runway que Andrea vai ter de escolher os caminhos que a vão orientar dali para frente. Ou segue os seus desejos antigos, ou transforma-se numa mulher fria, sozinha, uma futura Miranda.
Fazendo uma leitura do filme para a análise do campo profissional o longa, mostra muito bem a realidade do mercado capitalista. Competitividade, corporativismo, as perseguições dentro dos grupos, o status almejado por quem realmente se identifica com este sistema, a indiferença ao trabalho em equipe, apesar das novas teorias empresariais em seu discurso de “treinamentos” empregarem com freqüência esta prática, mas que não acontece como se teoriza e muitas outras características que marcam a aniquilação dos valores humanos deste sistema. O que existe mesmo no capitalismo é um verdadeiro “cada um por si e Deus por todos”, caso contrário você pode perder seu cargo para o seu companheiro de trabalho e muitas outras consequências empregadas e demonstradas no filme.
É interessante destacar o universo reproduzido pelo filme, o modo como as pessoas vão se moldando ao sistema, a composição hierárquica, a obediência indiscutível, aquele que encabeça o grupo, a organização funcional que está ligada a produtividade dos funcionários que muitas vezes tem que trabalhar a qualquer hora do dia e desempenhar funções que fogem as competências do cargo como se percebe bem na relação do “chefe” e seus subordinados que é inquestionável, se desejam continuar ou subir na profissão. O filme faz uma retratação fiel de certo modo da dinâmica do sistema capitalista e o mundo do trabalho, conduz uma leitura bastante sugestiva de como se comportam os indivíduos dentro dos grupos produtivos e que muitas vezes terminam por abrir mão de seus valores pessoais e humanos em busca de uma ascensão profissional. Vale a pena ver o “Diabo veste Prada” por esta ótica.
RATATOUILLE
Na nova aventura animada RATATOUILLE, um rato chamado Remy sonha em se tornar um grande chefe francês, mesmo contra os desejos de sua família e do óbvio problema de ser um rato em uma profissão totalmente inapropriada para roedores. Quando o destino o leva aos esgotos de Paris, Remy se vê na situação ideal, bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau. Apesar dos aparentes perigos de ser um inadequado – e certamente indesejado – visitante na cozinha de um fino restaurante francês, a paixão de Remy pela arte culinária não demora a colocar em marcha acelerada uma engraçadíssima e eletrizante corrida de ratos que invade o mundo da culinária parisiense. Remy então se sente dividido entre sua vocação e a obrigação de voltar para sempre à sua prévia existência de rato. Ele aprende a verdade sobre amizade, família e entende que sua única opção é a de aceitar quem ele é realmente: um rato que deseja ser chef de cozinha.
O filme retrata através da animação, um quadro bem realista da situação contemporânea do mundo do trabalho. Percebe-se claramente que aquele ratinho, descreve bem os ideais profissionais de muitas pessoas do nosso cotidiano. A ambição, a busca por uma vida melhor, o reconhecimento de suas competências, o aprimoramento de suas habilidades e a busca pela primeira chance, que o pequeno ratinho, ousou ,reuniu todos os seus atributos e foi em busca de uma oportunidade. É interessante dizer que o filme traz uma personagem bem característica da atualidade para o novo perfil de profissional apto a sobreviver no mercado de trabalho, o Sr. Gusteau que é um ícone da gastronomia francesa e ídolo do pequeno Remy que sonha em ser como ele. Seu lema: ”qualquer um pode cozinhar”, uma alavanca motivacional para o ratinho ser um grande cozinheiro.
Por outro lado surge um outro personagem bem típico, um candidato a emprego, que aparece no maior restaurante de Paris para tentar uma oportunidade de trabalho. Vive com dificuldades financeiras, não havia tido nenhuma oportunidade de trabalho e através de uma carta que comprova o conhecimento de sua mãe com o Sr. Gusteau consegue sua primeira chance como zelador do restaurante, então ele começa a trabalhar em uma função humilde e não imagina que em pouco tempo evolui para cozinheiro (chef), por ter um prato supostamente feito por ele, tido como uma obra prima da gastronomia, detalhe, quem havia preparado o prato teria sido o ratinho, mas como um rato cozinheiro não seria possível, ele se aproveita desta condição para fazer com que a produtividade do pequeno animal parecesse sua. Enquanto o jovem zelador pretendente a cozinheiro (chef) se encantava com a oportunidade de subir rapidamente no emprego e deixar a condição de “inferioridade” que é dedicada àqueles que estão começando, e é importante destacar aqui que o filme enfatiza bem a condição de começar de baixo e subir na vida pelo próprio esforço, muita gente começa a olhá-lo com a ganância e da perseguição, mas destaco aqui que antes de qualquer um, olhá-lo de forma, g gananciosa, desonesta e outras características depositadas nas pessoas por um sistema aniquilador refletidas em suas atitudes. Ele rapidamente faz uma analise pessoal, percebendo seus erros e verdadeiros potenciais e também fazendo com que o ratinho manifeste abertamente os dele. Ambos conseguem através de seus reais atributos vencerem pelos próprios meios e fazendo aquilo que sabem fazer de melhor, aproveitando as oportunidades. Outra característica marcante no filme é o chamamento ao trabalho em equipe levado a sério, é bem interessante. Se muitas corporações aplicassem isso com mais realismo e nos bastidores não pregassem a chamada “puxada de tapete” que também é vista nesta animação talvez a ponte trabalho-trabalhador-relação de produção pudesse ser mais prazerosa e eficaz e não um regime escravista e “canibal”.