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Teresina, Piauí, Brazil
Olá, Fazemos parte da turma de Especialização em Gestão Educacional em redes EAD - UFPI-CEAD, polo de Teresina. O grupo responsável pela criação deste blog é composto por Doraneide,Virgínia e Raimundo.Estaremos conectados neste AVA para socializarmos experiências e atividades dirigidas ao curso ou a nosso cotidiano de trabalho.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Discussões formuladas na EPT

Relações interinstitucionais (MEC, Rede federal, Estados, Municípios, Movimentos sociais, Universidades, Sistema S, outros)

1. O papel do governo federal na implementação das políticas públicas da EPT
O governo federal quando da implementação dessas políticas, torne realmente possível o acesso, permanência e conclusão da educação básica numa perspectiva politécnica ou tecnológica com qualidade e de forma universalizada na faixa etária denominada “regular” e que essas políticas venham realmente promover a inclusão social da clientela que se destina de forma que tenham um amparo legal, fundamentado e regido por normas governamentais que assegure a sua viabilização, financiamento propondo mecanismos permanentes de para assegurar a expansão, a qualificação dos profissionais formados.
2. As alternativas para garantir a consolidação da EPT nos estados e municípios
Uma legislação clara e objetiva que determine e sirva como diretrizes concretas e definidas para cada município e estado, e que na implantação do sistema da EPT seja percebível que o acesso irá de fato “abarcar” a população que mais precisa da formação, que os cursos oferecidos sejam realmente voltados para uma necessidade local, levando em consideração a cultura, economia, realidade social de cada região.
3. A contribuição dos movimentos sociais, sistema S, universidades na contribuição das políticas públicas da EPT
Seria interessante que quando da implantação de políticas públicas na esfera da EPT procurassem promover antes de tudo uma ampla discussão destes setores em torno da estruturação dos cursos oferecidos pela EPT, já que todas estas instituições tem em comum o “profissional” que será formado e que atuará no mercado de trabalho, portanto estes setores da sociedade deveriam estar intimamente ligados na estruturação, regulamentação e oportunizando o exercício de uma prática profissional e a inserção social de adolescentes, jovens e adultos.
4. Outros que também podem e devem fazer parte destas discussões
Organizações não governamentais, representantes da educação básica pública e privada, representantes de empresas, enfim, todos que representem um apoio e envolvimento com a EPT.

Divulgação, acesso e permanência do estudante da EPT
1. Estratégias de divulgação que podem ser utilizadas para que a sociedade tenha conhecimentos de curso da EPT e participe
Divulgar nos meios de comunicação (rádios, TV, jornais ET..), fóruns, congressos, palestras em escolas, universidades, associações de moradores, sindicatos, etc. e não somente as discussões como também descentralizar as formas de acesso (inscrições, matrículas etc..) seria bem interessante no sentido de esclarecer e fornecer informações e oportunidades para a sociedade.
2. Formas de acesso para o aluno da EPT
A seleção que é realizada hoje por muitas instituições que oferecem a modalidade de ensino EPT, geralmente nivelam seus futuros alunos por seleção objetiva de provas, mas acredito que outras formas deveriam ser vistas, como a própria disponibilidade de vagas para inscrição somente, não cobrança de taxas, e se houvesse que fosse um valor ínfimo, seleção por aptidão prática, entrevista, análise de desempenho nas séries anteriores, enfim, que as possibilidades fossem mais acessíveis principalmente para aqueles que realmente representam o lado que sempre fica fora da inclusão social.
3. Estratégias pedagógicas e operacionais no incentivo da permanência do estudante nos cursos da EPT
Criar programa de bolsas para a Educação Profissional e Tecnológica destinadas à qualificação de docentes, tanto como à iniciação à capacitação tecnológica de alunos, regulamentarem a profissão docente incluindo os profissionais de EPT, incentivar a instituição de Educação Profissional a constituição de um núcleo de acompanhamento e formação pedagógica continuada etc...
4. Políticas de assistência estudantil implementadas para garantir a permanência do estudante nos cursos da EPT
Acima cito a questão das bolsas auxilio como uma forma de incentivo e ajuda financeira para alunos da EPT, mas também chamo a atenção que tais bolsas sejam incentivos e não somente uma forma de manter o aluno na formação, é preciso um acompanhamento por parte da equipe pedagógica dos cursos no sentido de avaliar o aproveitamento da formação na EPT, se tem atendido seus fins reais. Também ressalto uma proposta adotada já por algumas escolas de EPT, parcerias com escolas de fábricas, escolas de governo, jovem aprendiz, que simultaneamente a formação teórica tem na prática profissional também um incentivo financeiro, não uma bolsa, mas uma espécie de salário pelo trabalho realizado.

Integração da Educação Profissional à Educação Básica, na modalidade para adolescentes e para jovens adultos

1. A integração pedagógica e operacional dos técnicos de nível médio integrado ao Ensino médio para adolescentes, bem como para jovens e adultos nas diferentes instituições.
Seria interessante que houvesse na proposta dessa construção integrada, um currículo comum que surgisse a partir das discussões entre os envolvidos (professores, técnicos educacionais, representantes de instituições diretamente ligada com a EPT), que os objetivos e metas propostas neste currículo refletisse os anseios de todos estes seguimentos, formações comuns para as instituições, diretrizes pedagógicas semelhantes à proposta da EPT, encontros periódicos dos agentes envolvidos para a avaliação conjunta das ações desenvolvidas nas instituições para haver realmente uma inserção da EPT, afinal poderíamos conceituar o currículo integrado como um plano pedagógico e sua correspondente organização institucional que articula dinamicamente trabalho e ensino, prática e teoria, ensino e comunidade.
2. A construção coletiva do currículo integrado
Partir primeiramente de uma clara definição de atribuições que não deveriam estar implicadas na prática social de uma profissão; se a elaboração do perfil profissional ficar em forma de lista de atribuições, pode ser conveniente reuni-las em áreas ou conjuntos de atribuições, referindo-se cada uma um tipo genérico de atividades; de cada área de atribuição deverão ser detectadas as competências necessárias e os conceitos, processos, princípios e técnicas para o desenvolvimento de tais competências; comparar as diferentes listas de conceitos e processos para o desenvolvimento das competências, estabelecendo relações entre elas, detectando conhecimentos comuns e hierarquizando-os; cada assunto chave e sua correspondente rede de conhecimentos teóricos e práticos darão lugar a uma unidade de ensino-aprendizagem; adesão de uma prática pedagógica reflexiva, que permita ao aluno ser sujeito ativo, critico e solidário, condizente com suas realidades e possibilidades econômicas, culturais e sociais afastando a possibilidade de um ensino meramente voltado para a memorização de informações, e mecanização de comportamentos; uma metodologia que supõe planejar uma série encadeada de atividades de aprendizagem que surgem das situações do próprio serviço e avaliar conjuntamente as ações desenvolvidas por todos os agentes desencadeadores de toda a dinâmica do currículo integrado.

Formação dos profissionais da educação

1. Estratégias que podem ser realizadas para viabilizar uma formação inicial e continuada de profissionais que tenha comprometimento com integração da educação profissional à educação básica
Não se pode pensar currículo sem pensar no professor, portanto na construção deste, seja inicial, seja continuada. A questão da EPT integrada deve começar a fazer parte da formação dos professores que atuarão na educação básica e na chamada educação profissional, a prática epistemológica da EPT deve fazer parte da formação de professores nos próprios currículos das licenciaturas, ou seja, este professor atuará nesta modalidade de ensino e não é interessante que eles somente venham a ter noção e conhecimento da metodologia quando estão já atuando, é bem mais difícil conceber, se adaptar e aderir à proposta metodológica do ensino integrado, e daí uma formação periódica que estabeleça parâmetros avaliativos e formadores permanentes de uma verdadeira prática que pede a EPT.

Financiamento

1. Estratégias de financiamento que podem ser realizadas para garantir uma oferta pública , permanente e de qualidade para a EPT, a partir da articulação do governo federal, estados, municípios e demais parceiros
Quanto ao financiamento desde sua inserção na educação básica, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, que substitui o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério - FUNDEF, o qual só garantia vinculação constitucional de recursos para o ensino fundamental. Assim, o novo Fundo visa promover a ampliação dessa vinculação para a educação infantil e o ensino médio. Apesar do avanço que representa o FUNDEB, a sua criação não resolverá totalmente os problemas de financiamento para a educação básica no País, também se encontra em trâmite no congresso nacional um projeto de lei que visa à criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação profissional – FUNDEP. Essa pode ser uma solução que ajude o financiamento da EPT em geral e, em particular, do ensino médio integrado, tanto na modalidade EJA como na oferta dirigida aos adolescentes egressos do ensino fundamental, com atribuições direcionadas a municípios, estados e união.

terça-feira, 17 de março de 2009

O cenário mundial, o cenário neoliberal e o cenário brasileiro na década de 90
A década de 90 foi bastante marcante no que se refere ao emprego do neoliberalismo no cenário mundial e principalmente no cenário brasileiro. O Brasil estava sob um governo que exercia uma política baseada em reformas liberalizantes, que ampliava o processo de abertura econômica, intensificando o processo de privatizações e aprovando uma série de mudanças constitucionais que abriram caminho para o aprofundamento das reformas. É interessante que muitas destas reformas estavam intimamente ligadas as propostas da política do Banco Mundial, instituição financeira bastante presente nas políticas brasileiras durante o mandato de presidente da república Fernando Henrique Cardoso. E importante destacar que parte das políticas desenvolvidas no Brasil em termos do capital externo já vinha sendo empregada com o ex. presidente Fernando Collor de Melo cujo governo foi marcado pela implementação do plano Collor, pela abertura do mercado nacional às importações e pelo início do Programa Nacional de Desestatização. Questões como a reforma do sistema previdenciário, a revisão do sistema tributário, a flexibilização dos monopólios, a concentração dos recursos para a educação no ensino básico, entre outras fizeram parte das políticas de FHC. Todo este processo de “acomodação” política as ações do neoliberalismo, estavam em perfeita consonância com a configuração da nova ordem econômica mundial a globalização e tal ordem tem como extensão a ampliação da autonomia do mercado mundial, a interdependência econômica e o aumento do poder transnacional. As corporações transnacionais e as instâncias superiores de concentração de poder são cada vez mais constituintes, ordenadoras e controladoras da nova ordem mundial. Os países ricos ou primeiro – mundistas desempenham papel ativo na criação e na sustentação da chamada sociedade política global.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O BANCO MUNDIAL E OUTRAS ORGANIZAÇÕES MULTILATERAIS E AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS
O IDEÁRIO EDUCACIONAL IMPOSTO PELO BANCO MUNDIAL AOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO E POR QUE DITA A POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA?

O Banco Mundial é uma instituição financeira, hoje responsável por boa parte dos financiamentos através de empréstimos concedidos a países em desenvolvimento. Sua política estrutural não é recente. Criado em 1944 na Conferência de Bretton Woods, fundação vinculada ao FMI (Fundo Monetário Internacional), resultado da preocupação dos países centrais com o estabelecimento de uma nova ordem internacional no pós-guerra. Sob forte influência e hegemonia norte-americana que se dizia voltada para ajudar os países em crise e declínio econômico a se reerguerem no pós-guerra. Mas foi somente durante a década de 50 que o Banco Mundial adquiriu o perfil de um banco voltado para o financiamento dos países em desenvolvimento. O Brasil é um destes países que recorre constantemente a seus financiamentos para projetos tidos como alavancadores do desenvolvimento e progresso econômico do país. Dentre estes projetos estão na linha de frente o desenvolvimento da educação. É importante destacar que o Banco Mundial ao financiar tais projetos, ele o faz mediante garantias de um retorno financeiro, e o faz influenciando diretamente um controle sobre o conjunto das políticas públicas aplicadas nos países que financia tais projetos, chegando até a estruturá-las como condição para autorizar seus créditos financeiros. É importante destacar que as fontes de créditos são tão fechadas que acabam tornando muito difícil a resistência dos governos eventualmente insatisfeitos com a nova ordem. Enfatiza-se também aqui que a política de financiamento do Banco Mundial representa uma ideologia neoliberal e privatizadora gradativa.
No plano internacional, o Banco Mundial é a maior fonte de assessoria em matéria de política educacional e de fundos externos para esse setor, apresenta um pacote de medidas, particularmente do ensino básico, especialmente o primeiro grau, nos países em desenvolvimento que abrange na verdade um macro projeto de “colonização” até a sala de aula. O referido pacote e o modelo educativo promotor da “melhoria da qualidade de educação”, do modo como foi apresentado e vem se desenvolvendo, ao invés de contribuir para a mudança no sentido proposto, melhorar a qualidade e a eficiência da educação e, de maneira especifica os aprendizados escolares na escola pública e entre os setores sociais menos favorecidos, está em boa medida reforçando as tendências predominantes no sistema escolar e na ideologia que o sustenta, ou seja, as condições objetivas e subjetivas contribuem para produzir ineficiência, má qualidade e desigualdade no sistema escolar. Isso se deve não somente à natureza e conteúdo das propostas em si, mas também aos contextos, condições de recepção, negociação e aplicação de tais políticas concretamente nos países, em um momento bastante definido como o que está vivendo o Brasil e o seu sistema educacional.

Questões refletidas na Ed. Profissional e tecnológica

1. A lei nº 5.692/71 significou uma ruptura completa com a lei nº 4.024/61?
Nem tanto, reflexo de um regime militar, essa lei teve como fundamento teórico um modelo ideológico que expressa à estreita relação entre educação e produção própria para o desenvolvimento de uma concepção tecnicista dentro da óptica da “teoria do capital humano”, conhecida também como “economicismo educativo”. Essa proposta de ensino médio acabava por traduzir os objetivos de uma política ditatória que previa: a contenção da demanda de estudantes secundaristas ao ensino superior; a formação despolitizada e fragmentada imposta por um currículo tecnicista; e o estabelecimento de um contingente de trabalhadores qualificados baseado no trinômio, racionalização, eficiência e produtividade. Sendo assim, mesmo com o objetivo de reformulação da lei 4.024/61 no que se referia à questão da organização de primeiro e segundo graus, sendo assim considerado um marco na história da Ed.profissional brasileira, por propor a extinção do ensino secundário e os diversos tipos de ensino médio e se institucionalização compulsória no segundo grau, numa espécie de escola única para todos.
2. Todavia as diferenças entre as duas não podem ser minimizadas. O que refletia nas suas épocas cada uma dessas leis?
A lei nº 4.024/61 refletia uma política que impôs seus valores de ordem e desenvolvimento de cima para baixo, cultivando a semente embrionária de uma ideologia que tinha como finalidade impor um modelo social, político e econômico denominado por alguns de “desenvolvimentalista”. Já a lei nº 5.540/68, refletia um regime militar, e propunha um modelo ideológico que expressava a estreita relação entre educação e produção própria para o desenvolvimento de uma concepção tecnicista. O país tentava atender a uma suposta demanda, uma época de “milagre e desenvolvimento econômico” em que o Brasil passaria a pertencer ao bloco dos países desenvolvidos, impulsionado pelo surgimento de grandes e médias empresas organizadas para produzirem em grande escala utilizando tecnologia de ponta.
3. Na lei nº 5.6927/71, como foi agrupado os anteriores curso primário e ciclo ginasial?
Primeiro grau em oito anos e a formação profissional (segundo grau).
4. E o segundo grau?
Propedêutico e acadêmico, ou seja, formação profissional (cursos técnicos) e formação que possibilitasse o ingresso no ensino superior.
5. Como se deu a “descaracterização” do segundo grau?
A lei acabou por não admitir a dualidade estrutural como modelo de organização escolar, por ter como meta de longo prazo uma escola única para a formação dos jovens, obrigando a escolarização em oito anos e a formação profissional (segundo grau), com equivalência de estudos para todos, principalmente para aqueles que conseguissem furar o funil da seletividade do sistema.
6. Que impacto essa lei teve na escola normal?
Continuou seu percurso de formação para prosseguimento de estudo, utilizando a obrigatoriedade da lei de formação profissional apenas como “aparência” para continuarem a desempenhar sua função propedêutica.
7. Mas por que a lei nº 5.692/71 acabou?
Por que houve uma acomodação desta lei à realidade pela legitimação de um sistema que na prática já acontecia, transferindo o discurso da escola única para o ressurgimento da questão da dualidade estrutural, que reafirmava o caráter propedêutico, propiciando o acesso ao nível superior, e, contrapartida, as habilitações plenas garantiam o acesso ao mundo do trabalho.
8. Tanto a lei nº 7044/82 quanto o parecer do CFE nº 76/75 o que dizem?
A lei nº 7.044/82 veio regulamentar o que na prática já vinha acontecendo com a lei 5.692 e o parecer CFE nº 76/75, tornando a educação profissional facultativa para o ensino de segundo grau. Ao liberar esse nível de ensino da profissionalização acabou por restringir a formação profissional às instituições especializadas. O parecer nº 76/75 por ter havido um equívoco na interpretação da lei 5.692/71, veio esclarecer que toda escola de segundo grau deveria transformar-se em escola técnica sem contar com recursos de qualquer ordem. O que a lei na verdade propunha era que o ensino, e não a escola fosse profissionalizante.

domingo, 15 de março de 2009

REFLEXÕES DO BLOG
Acompanhe comigo a análise de três filmes na visão da Educação Profissional e tecnológica.
O HOMEM QUE COPIAVA
O protagonista André (Lázaro Ramos) é um jovem de 20 anos que trabalha como operador de fotocopiadora na papelaria Gomide e que nas horas vagas, desenha e tenta o apoio de algum editor enviando suas produções para aprovação, mas nunca obteve uma resposta da parte dos mesmos. Tentando conquistar o coração da jovem Silvia (Leandra Leal) e lutando para sair da "dureza" de ganhar um salário mínimo por mês, André passa a produzir notas de 50 reais falsas onde trabalha, mas sua loucura por querer mais dinheiro vai além, produz cada vez mais notas falsas, até que teve a idéia de roubar um carro forte, onde obteve êxito roubando um malote com 2 milhões de reais, além de ter a pura sorte de ganhar na loteria no dia seguinte ao roubo. Diferentemente do velho ditado: ”O crime não compensa”, neste caso compensou e a trama termina deixando evidente que nenhuma das personagens era inocente. Todos queriam se livrar de seus problemas de alguma forma, mesmo que não fosse de uma forma muito ética.
O filme retrata a realidade de muitos trabalhadores, que como o protagonista vive em condições bem difíceis. Tomando de início a vida de André, percebe-se as inquietudes de um cidadão com relação a sua vida pessoal, sua insatisfação com uma não realização profissional, afinal ele possuía outras habilidades bem mais complexas do que operador de uma máquina de xerox em uma loja de papelaria e ganhando um pouco mais de um salário mínimo. A vida de André era muito resumida, pouco se podia almejar, apesar dele querer e sonhar com algo melhor. Começava de certo modo a se conformar com seu estilo de vida, a se tornar “bitolado” no seu cotidiano, de despesas mínimas e “dinheirinho” contado, até o dia que seu impulso maior chega Silvia, a garota do prédio vizinho que ele se se apaixonara e através desta paixão o despertar do desejo de conseguir uma vida melhor. Mas como a sociedade atual se concretiza nos valores materiais, André dá início a sua conquista amorosa e desenha uma cadeia de mentiras, desonestidade, roubo, assassinato e muito mais por um “lugarzinho ao sol”. Comparando com o cotidiano de muitos jovens, percebemos uma relação muito grande com o momento que vivemos. Muitos como o André do filme, na maioria das vezes desmotivada e sem muita perspectiva, terminam por optar pelo caminho do crime, para evoluir, iludidos por uma vida de sucesso, bens materiais, a felicidade baseada na aquisição de que o dinheiro pode comprar o que não é compensável na maioria das vezes. Ressalta-se aqui, não querendo dizer que o poder aquisitivo alto não seja uma ambição de muitos brasileiros, mas que seria interessante se fosse alcançado pelo próprio esforço e potenciais reconhecidos, através do trabalho, da oportunidade de se mostrar seus talentos e não se deixar perdê-los muitas vezes, por não terem esses talentos reconhecidos. Mudar suas histórias de vida. Acredito que a principal mensagem do filme não está em caracterizar que “os fins justificam os meios”, mas sim, em mostrar que não justificam. Chamo a atenção como principal reflexão do “Homem que copiava” que na maioria das vezes o crime, a corrupção, a violência como um todo podem estar associados ao ócio, à falta de oportunidades e os baixos salários, afinal se o valor do que produzimos é o salário que recebemos (baixos e desvalorizados), desmotiva,desqualifica,desanima. Não aqui justificando que o fato de não se ter o emprego dos sonhos ou o salário que se almeja, sejam justificativas para entrar na vida do crime, mas possivelmente apontar uma vertente a ser analisada do ponto de vista de políticas públicas favoráveis a profissionalização e acesso ao trabalho valorizado e reconhecido no Brasil.
O DIABO VESTE PRADA
A história é simples, Andrea é uma jovem recém licenciada que procura um trabalho num jornal onde realmente possa escrever, no entanto até conseguir prestigio para tal, candidata-se a um lugar de assistente numa revista de moda. A revista de moda é a Runway, e o trabalho em questão será para trabalhar diretamente com uma das mulheres mais poderosas no mundo da moda, Miranda Priestly. Miranda é uma mulher poderosa, que abusa dos seus subordinados. Rodeada de pessoas bem vestidas e que respiram moda e tudo o que a ela diz respeito, Miranda é o diabo em pessoa. Trabalhar como sua assistente representa deixar de ter vida própria, adivinhar os seus desejos e o mais importante de tudo satisfazer todos eles. Andrea é o tipo de profissional que nunca iria trabalhar para a Runway, uma vez que em nível de moda o seu estilo é muito atípico. Contrariando tudo e todos, a sinceridade e modéstia de Andrea levaram-na diretamente ao mundo da moda. Com o tempo, e como era de se esperar, torna-se uma profissional cheia de estilo e vestida conforme o cargo e o local onde trabalha. Torna-se o braço direito de Miranda, mas aqui aparece o reverso da medalha, Andrea começa a descuidar da sua vida pessoal, a não dar atenção ao seu namorado, aos seus amigos, e a deixar de lado valores que para ela já foram filosofias de vida. E é então no topo da sua carreira na Runway que Andrea vai ter de escolher os caminhos que a vão orientar dali para frente. Ou segue os seus desejos antigos, ou transforma-se numa mulher fria, sozinha, uma futura Miranda.
Fazendo uma leitura do filme para a análise do campo profissional o longa, mostra muito bem a realidade do mercado capitalista. Competitividade, corporativismo, as perseguições dentro dos grupos, o status almejado por quem realmente se identifica com este sistema, a indiferença ao trabalho em equipe, apesar das novas teorias empresariais em seu discurso de “treinamentos” empregarem com freqüência esta prática, mas que não acontece como se teoriza e muitas outras características que marcam a aniquilação dos valores humanos deste sistema. O que existe mesmo no capitalismo é um verdadeiro “cada um por si e Deus por todos”, caso contrário você pode perder seu cargo para o seu companheiro de trabalho e muitas outras consequências empregadas e demonstradas no filme.
É interessante destacar o universo reproduzido pelo filme, o modo como as pessoas vão se moldando ao sistema, a composição hierárquica, a obediência indiscutível, aquele que encabeça o grupo, a organização funcional que está ligada a produtividade dos funcionários que muitas vezes tem que trabalhar a qualquer hora do dia e desempenhar funções que fogem as competências do cargo como se percebe bem na relação do “chefe” e seus subordinados que é inquestionável, se desejam continuar ou subir na profissão. O filme faz uma retratação fiel de certo modo da dinâmica do sistema capitalista e o mundo do trabalho, conduz uma leitura bastante sugestiva de como se comportam os indivíduos dentro dos grupos produtivos e que muitas vezes terminam por abrir mão de seus valores pessoais e humanos em busca de uma ascensão profissional. Vale a pena ver o “Diabo veste Prada” por esta ótica.
RATATOUILLE
Na nova aventura animada RATATOUILLE, um rato chamado Remy sonha em se tornar um grande chefe francês, mesmo contra os desejos de sua família e do óbvio problema de ser um rato em uma profissão totalmente inapropriada para roedores. Quando o destino o leva aos esgotos de Paris, Remy se vê na situação ideal, bem embaixo do famoso restaurante de seu herói culinário, Auguste Gusteau. Apesar dos aparentes perigos de ser um inadequado – e certamente indesejado – visitante na cozinha de um fino restaurante francês, a paixão de Remy pela arte culinária não demora a colocar em marcha acelerada uma engraçadíssima e eletrizante corrida de ratos que invade o mundo da culinária parisiense. Remy então se sente dividido entre sua vocação e a obrigação de voltar para sempre à sua prévia existência de rato. Ele aprende a verdade sobre amizade, família e entende que sua única opção é a de aceitar quem ele é realmente: um rato que deseja ser chef de cozinha.
O filme retrata através da animação, um quadro bem realista da situação contemporânea do mundo do trabalho. Percebe-se claramente que aquele ratinho, descreve bem os ideais profissionais de muitas pessoas do nosso cotidiano. A ambição, a busca por uma vida melhor, o reconhecimento de suas competências, o aprimoramento de suas habilidades e a busca pela primeira chance, que o pequeno ratinho, ousou ,reuniu todos os seus atributos e foi em busca de uma oportunidade. É interessante dizer que o filme traz uma personagem bem característica da atualidade para o novo perfil de profissional apto a sobreviver no mercado de trabalho, o Sr. Gusteau que é um ícone da gastronomia francesa e ídolo do pequeno Remy que sonha em ser como ele. Seu lema: ”qualquer um pode cozinhar”, uma alavanca motivacional para o ratinho ser um grande cozinheiro.
Por outro lado surge um outro personagem bem típico, um candidato a emprego, que aparece no maior restaurante de Paris para tentar uma oportunidade de trabalho. Vive com dificuldades financeiras, não havia tido nenhuma oportunidade de trabalho e através de uma carta que comprova o conhecimento de sua mãe com o Sr. Gusteau consegue sua primeira chance como zelador do restaurante, então ele começa a trabalhar em uma função humilde e não imagina que em pouco tempo evolui para cozinheiro (chef), por ter um prato supostamente feito por ele, tido como uma obra prima da gastronomia, detalhe, quem havia preparado o prato teria sido o ratinho, mas como um rato cozinheiro não seria possível, ele se aproveita desta condição para fazer com que a produtividade do pequeno animal parecesse sua. Enquanto o jovem zelador pretendente a cozinheiro (chef) se encantava com a oportunidade de subir rapidamente no emprego e deixar a condição de “inferioridade” que é dedicada àqueles que estão começando, e é importante destacar aqui que o filme enfatiza bem a condição de começar de baixo e subir na vida pelo próprio esforço, muita gente começa a olhá-lo com a ganância e da perseguição, mas destaco aqui que antes de qualquer um, olhá-lo de forma, g gananciosa, desonesta e outras características depositadas nas pessoas por um sistema aniquilador refletidas em suas atitudes. Ele rapidamente faz uma analise pessoal, percebendo seus erros e verdadeiros potenciais e também fazendo com que o ratinho manifeste abertamente os dele. Ambos conseguem através de seus reais atributos vencerem pelos próprios meios e fazendo aquilo que sabem fazer de melhor, aproveitando as oportunidades. Outra característica marcante no filme é o chamamento ao trabalho em equipe levado a sério, é bem interessante. Se muitas corporações aplicassem isso com mais realismo e nos bastidores não pregassem a chamada “puxada de tapete” que também é vista nesta animação talvez a ponte trabalho-trabalhador-relação de produção pudesse ser mais prazerosa e eficaz e não um regime escravista e “canibal”.